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De que lado está o vandalismo?

De que lado está o vandalismo? Será que os vândalos são realmente os menos de 150 manifestantes que ocuparam a Câmara ou são aqueles que estão lá há anos, só interessados em seus próprios interesses?

Nesta quarta-feira talvez tenhamos visto a maior manifestação da história de Campinas. Não teve o mesmo volume que o protesto do dia 20 de junho, mas foi mais intensa. A primeira era um movimento que refletia o que acontecia no Brasil, quase uma coisa “Maria vai com as outras”, sem bandeiras, sem reivindicações específicas e impulsionada por palavras de ordem como “O gigante acordou” e “vem pra rua”.

A manifestação de agosto tinha bandeiras, tinha uma reivindicação pontual e contava com aqueles que não acordaram com o gigante porque não estavam dormindo (leia-se partidos de esquerda e movimento estudantil).

Muitos podem dizer que houve um exagero, que houve o tal “vandalismo”. Talvez tenha sido só o fim da paciência, da tentativa de tentar dialogar. E por que o alvo do ataque foi a Câmara? Reflexo de uma insatisfação que vem da legislatura anterior e começa a aparecer com a atual.

A bancada eleita em 2008 fechou os olhos para os erros cometidos no Governo Hélio de Oliveira Santos. Foram várias CPIs que terminaram em pizza, incluindo investigações na Emdec na Sanasa (um escândalo de corrupção nesta autarquia culminou com a cassação do prefeito e do vice dele). Os vereadores fingiram não ver nada até que a água chegou ao pescoço, quando para não ficar feio com o eleitorado, grande parte da base aliada virou oposição. Atitude tão demagoga quanto os discursos dos oposicionistas da época, que  na atual legislatura fazem parte da tropa de choque de Jonas Donizette. São os vereadores que querem evitar a CPI da Tarifa, alvo da manifestação desta quarta-feira.

Se isso já não bastasse, ainda existem os escândalos que aconteceram dentro da própria Câmara. Painel fantasma, compras de empresas cujos proprietários eram funcionários da casa, gasto de mais de 1 milhão com Correios , entre outras histórias.

Cerca de um terço da Câmara foi renovado entre as eleições de 2008 e de 2012. Renovado é força de expressão, porque tiveram velhos personagens retornando. Mas, parece que a única coisa que mudou foi a posição de alguns parlamentares: oposição virando posição e vice-versa (sem contar naqueles que sempre estão com quem está no poder).

Os vereadores subestimaram a manifestação desta quarta-feira. Não houve um esquema de segurança como teve em junho. Os manifestantes foram ocupar um espaço que é público, que também é deles, que também é nosso. Estavam mostrando que não dá mais pra tolerar vereadores que legislam por interesses próprios. Política se faz com pressão e repressão, como a reintegração de posse de uma área pública, sem decisão judicial, só faz aumentar o descontentamento da população, como vimos em junho.

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Marcos André Andrade

Jornalista formado, ou deformado. Escritor frustrado. Boêmio. Amante de MPB e futebol. Adora fazer piadas ridículas. Sofro com uma Variação Constante de Humor.

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