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A reeleição de Dilma passa pela Copa

É fato que Futebol e política estão atrelados. A FIFA é uma estrutura política, vários países tem políticos no futebol e vice-versa (Exemplos não faltam, mas cito dois Eric Cantona, que foi candidato à presidência da França e Berlusconni, ex-primeiro ministro italiano e presidente do Milan). Mas não é só isso. O futebol é constantemente usado politicamente. Temos alguns exemplos diplomáticos, como quando Pelé interrompeu uma guerra civil no Congo Belga e a seleção brasileira foi ao Haiti fazer o jogo da paz enquanto aquele país sofria um golpe de estado.

Além disso, o sucesso da seleção nacional está diretamente ligada à continuidade ou não do grupo político que está no poder no país. Vamos aos exemplos internacionais: Em 1978 a ditadura militar Argentina influenciou diretamente no título mundial dos vizinhos, com suspeitas até de interferência em resultados. Assim como em 1970, no Brasil, os militares precisavam deste título para mostrar que as coisas estavam indo bem. Outro exemplo é o tricampeonato alemão, em 1990. Era um momento de unificação das Alemanhas, com a queda do muro de Berlim, e o título Mundial veio bem a calhar.

No Brasil, vimos o uso direto do futebol na política, como já citado, em 1970. É constante os relatos de pessoas que eram contra a ditadura tentando torcer contra a seleção (tentando porque o futebol de Pelé, Gérson, Tostão e Rivelino atrapalhavam os planos). O tema da seleção “Pra frente, Brasil” era um ode ao governo militar e não só uma canção de apoio aos canarinhos.

O primeiro título Mundial do Brasil, em 1958, também pode ter alavancado a aprovação do Governo Juscelino Kubitschek. O país vivia aquele clima de “50 anos em 5” e nada melhor do que o Brasil chegar ao topo do mundo no futebol para expressar isso.

Tanto o tetra e o pentacampeonato estão atrelados ao sentimento de mudança que o país vivia. Nas duas ocasiões a seleção tinha decepcionado nas eliminatórias, mas “a união faz a força” e tanto a equipe de Parreira, que entrava de mãos dadas no gramado, quanto a “Família Scolari” ganharam a Copa. A temática eleitoral de FHC e Lula era a mesma: “Esperança”. Em 1994, o Brasil saia da grave crise econômica do começo dos anos 90, de diversos planos frustrados. A chegada do Plano Real fazia com que os brasileiros acreditassem mais no futuro. Em 2002, o Brasil vivia uma grave crise de desemprego e Lula representava a mudança política econômica necessária ao país.

É por isso que a reeleição de Dilma passa diretamente pela Copa. Já estamos vendo o ufanismo em amistosos da seleção. O torneio Mundial ser disputado no Brasil exalta essa sensação de nacionalismo. Uma grande frustração (tanto na organização como dentro de campo) pode refletir nos votos da atual presidenta, enquanto a conquista do hexa vai alimentar a impressão de que “estamos no caminho certo” e ser essencial na reeleição de Dilma.

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Marcos André Andrade

Jornalista formado, ou deformado. Escritor frustrado. Boêmio. Amante de MPB e futebol. Adora fazer piadas ridículas. Sofro com uma Variação Constante de Humor.

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