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jun
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E Dunga virou herói!

Tornar-se técnico da seleção de algum país significa estar num posto almejado por muitos, profissionais da área ou não.

No caso do Brasil, onde o futebol é paixão nacional e mobiliza milhões de pessoas, acho que o técnico da seleção brasileira do esporte deveria ser escolhido por meio de voto direto.

Estando em tal posto, o escolhido deve seguir uma cartilha de bons modos e de ética. Ainda mais depois de oferecer tantos discursos sobre coerência e patriotismo.

Em primeiro lugar, Dunga serve de exemplo para milhões de meninos e meninas brasileiros que vêem, ou poderiam ver, nele um ídolo. Em uma primeira análise parece ser um homem correto. Não tem nenhum grande escândalo na sua carreira (envolvimento com drogas, álcool, caso de racismo). É vitorioso na sua carreira, talvez o único capitão brasileiro que foi campeão e vice-campeão em Copas do Mundo. Ingredientes suficientes para torná-lo um grande ídolo, não?

Não. Falta o principal, carisma. Todo mundo sabe que o técnico da seleção masculina de futebol é o cargo com maior cobrança no Brasil. Dunga sabia disso ao assumir o cargo. Cabia a ele avaliar se teria condições psicológicas de enfrentar a barra. Cabia aos parentes e amigos alertá-lo que ele não teria tais condições.

Dunga mostra ausência de auto-estima, mania de perseguição e um mau humor crônico. Além de ser rancoroso. Grande parte da raiva que ele nutre contra a imprensa se deve às críticas que recebeu após a Copa de 90, quando se tornou ícone da pífia campanha da seleção brasileira. Na época, Dunga virou motivo de piada. A Era Dunga tornou-se a Era da derrota e o, então jogador, hoje treinador se ressentiu disso.

Ao ver Dunga erguendo a Taça FIFA em 94 dá para perceber ele xingando, um momento de desabafo, colocando para fora aquilo que engoliu durante quatro anos. Mas parece que não colocou tudo pra fora. A mágoa com a imprensa continuou.

A CBF escolheu um treinador inexperiente e sem trato com a mídia para assumir o cargo de maior pressão do país. Mais uma sábia atitude do inteligentíssimo Ricardo Teixeira, que assiste calado a guerra que se dá entre Dunga e a imprensa.

Dunga restringiu o trabalho da imprensa. De toda a imprensa. Comprando briga com a Rede Globo de Televisão. A Toda Poderosa se ressentiu e começou a fazer a caveira do técnico da seleção. Após a convocação para a Copa eu li no Blog do Nassif um artigo que dizia: “Se Dunga perder a Copa deixará Barbosa no chinelo”.

Os acontecimentos após o jogo entre Brasil e Costa do Marfim apenas confirmam isso tudo que escrevi. Um técnico ressentido com a imprensa mostra seu mau humor crônico, dessa vez desconta em um repórter da Toda Poderosa, que ressentida da perda de privilégios coloca na voz de um pobre coitado um editorial endiabrando Dunga.

A reação no Twitter foi curiosa. Muito legal ver que a Toda Poderosa já não constrói mais mitos e demônios como antigamente. Pelo menos a fatia da população brasileira, usuária do Twitter, se posicionou contrária à tentativa da emissora de tornar Dunga um vilão e seu repórter uma vítima. Acho que Alex Escobar, o repórter, foi sim uma vítima e qualquer outro jornalista ali presente estava sujeito à levar uma patada do treinador.

Mas algumas coisas me incomodaram muito. Primeiro: tentar transformar Dunga em ícone anti-Globo. A raiva do Dunga não é contra a Globo, é contra a imprensa em geral. Na convocação para a Copa ele foi grosso com Milton Neves, seu auxiliar Jorginho foi grosso com um repórter de rádio e em todas as coletivas ele está transbordando de mau-humor e ironia.

Dunga atraiu a simpatia de alguns setores da esquerda por tirar os privilégios da Globo. Não fez mais que a obrigação. Dunga não tem nada de esquerda, muito pelo contrário. Não vamos esquecer que ele não pode se posicionar contra a ditadura e contra a escravidão porque não viveu nela. O discurso patriota dele, o bloqueio à imprensa e as limitações que ele impõe aos atletas são atitudes quase nazistas. Sim, estou exagerando, mas para mostrar que Dunga está mais à direita do que à esquerda.

Dunga não é herói, Dunga não é ídolo, Dunga não é uma pessoa para ser admirada. É no mínimo uma pessoa com problemas psicológicos. Dunga não está lutando contra a manipulação da mídia, não está preocupado com o bom jornalismo, não está preocupado com a nação brasileira, não quer ser campeão para dar uma felicidade ao povo do Brasil. Ele quer ser hexacampeão para dar um cala boca. Ou alguém duvida que se o Brasil conquistar a Copa, na hora que ele erguer a taça FIFA ele vai novamente bradar vários palavrões? “Vocês vão ter que me engolir!” vai ficar no chinelo.

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Marcos André Andrade

Jornalista formado, ou deformado. Escritor frustrado. Boêmio. Amante de MPB e futebol. Adora fazer piadas ridículas. Sofro com uma Variação Constante de Humor.

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